Duvidando, Criticando e Determinando "Anatematizada" a Mensagem de Silas Malafaia

05/06/2012 23:44

 

Assisti ao VÍDEO do pastor Silas Malafai e, confesso com toda a sinceridade e modéstia que não tive nenhuma dificuldade para encontrar os desvios doutrinários e teológicos de tão absurda e ignorante mensagem! Porém, não é preciso conhecer teologia para enxergar tantos erros de interpretação, basta saber um pouco de leitura e conhecer interpretação de texto. Essas coisas que a gente aprende na escola em nossos primeiros anos de alfabetização.

Mas em se tratando da Palavra de Deus é claro que alguns critérios deve haver para se expor uma mensagem além desses conhecimentos básicos citados acima. Já dizia Pe Antonio Vieira em seu sermão da Sexagésima (ou do Evangelho): Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distingua, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se deve evitar, há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloquencia os argumentos contrários, e depois disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar. Isto é sermão, isto é pregar, e o que não é isto, é falar de mais alto.

Pois Malafaia falou e falou alto demais...

Se ele tem tanta certeza de sua teologia por que a necessidade de um desafio? Por que a necessidade de afirmar que está “ensinando a bíblia”, como fez por diversas vezes no decorrer do vídeo?

Mas vamos ao que interessa, Silas desafiou e pediu aos seus críticos que mostrassem seus erros acerca da mensagem em questão. Pois então ei-lo ai:

Ele não levou em consideração o contexto de 2 Co. 9. Aliás, afirmou ser esse o melhor compêndio sobre o assunto no N.T. Ora, ler 2Co. 9 sem observar 2Co. 8, é, no mínimo, uma leitura leiga, para pregadores iniciantes e sem preparos. Pois ambos os capítulos tratam do mesmo tema, a saber, do incentivo dado aos coríntios para participarem livremente da assistência aos santos necessitados na Judéia. Os que tinham condições financeiras deveriam ajudar aos que necessitavam de assistência.

Malafaia afirma que a oferta é “firme fundamento de glória”... bom, seguindo o conselho dele de duvidar eu duvidei e fui pesquisar outras versões...(RA, NVI, ARIB) que traduz o texto por confiança. Ou seja, o que Paulo está dizendo parafraseando é: Não preciso escrever para vocês (coríntios) acerca da assistência aos santos, eu sei que vocês são dispostos a ajudar e já falei para os macedônios o quanto me glorio em vocês, pois vocês coríntios (Corinto ficava ao norte da Acaia) desde o ano passado já estavam prontos para contribuir. Isso fez com que outros ganhassem motivação para fazer o mesmo. Ora, Paulo diz isso como quem está dizendo que os coríntios nem precisavam contribuir caso não quisessem, pelo simples fato de conhecer a intenção deles em ajudar seus irmãos menos favorecidos, pois os macedônios já haviam ajudado o suficiente (daí a importância de compreender o capitulo 8, sacou?).

PORÉM, sim tem um porém, (v.3) já que vocês querem ajudar então vou enviar uns irmãos ai para não parecer que o que eu disse acerca de vocês (um povo com disposição para ajudar) seja em vão. Por isso estejam preparados como eu disse que estariam (não quero me passar por mentiroso), vai que algum macedônio queira ir comigo e vocês estão despreparados, nós (para não dizer vocês) ficaríamos envergonhados por tanta confiança que tivemos.

Portanto a confiança ou o firme fundamento de glória não se refere à oferta em si, mas ao fato de Paulo ter depositado confiança nos irmãos de corinto de que eles contribuiriam. Uma atitude que Paulo já havia falado para os macedônios. Logo, a afirmação do Malafaia de que “a oferta tem sólida base no mundo espiritual” é falsa. Já teve, quando na velha aliança representava a cristocentricidade do culto (escrevi uma monografia sobre o assunto, mas não vou citá-la aqui, posto que não vou apelar para a teologia, como disse, apenas a leitura acompanhada da interpretação do texto basta); uma vez que cristo foi a oferta de Deus para os homens, tal afirmação “malafaiana” não tem base alguma!

“Oferta é bênção”. Mas é claro que é! A oferta dos coríntios para os irmãos necessitados era sim uma bênção. Principalmente nas condições que os irmãos da Judéia se encontravam... ou será que não é bênção quando o povo se reúne na intenção de ajudar o próximo como quando aconteceu por várias vezes em nosso País. Estados se mobilizando para ajudar na tragédia de Santa Catarina provocada pela chuva. Na região serrana do Rio, etc... Todo tipo de ajuda é bênção. Essa afirmação fica vazia caso a intenção seja validar um conceito que não se sustenta nas Escrituras (o que eu acredito ter sido o caso).

“semente que Deus dá”. (v.10). O versículo 10 em especial enaltece a Providência de Deus. Deus é um Deus provedor! Aquele (Deus) que tem suprido vocês dando semente (semente aqui é tudo aquilo que simboliza o sustento, não necessariamente o $), ou seja, Deus é o que ajuda o trabalhador (semente ao que semeia) e pão ao que come (Deus provê o necessário) pão é alimento básico para a vida. Ou será que ele nunca leu o que Jesus disse em Mt. 6.25: Não fique ansioso quanto ao que comer ou ao que vestir (os pagãos vivem assim) busque em primeiro lugar o reino de Deus e todas ESTAS COISAS (comida e vestimenta – o básico pra viver) serão acrescentadas. Paulo disse: tendo o que comer e o que vestir esteja com isso contente.1 Tm.6.8. Ora me parece que Paulo está falando a mesma língua de Jesus, mas não parece ser assim em nossos dias. Os pastores têm falado outro evangelho! E no final do versículo temos que Deus fará crescer os frutos da justiça. Ora, ora, e tem muita gente pensando que é o da barganha.

Os textos de 1Cro 29.14 e Sl. 104.27 citados pelo referido pastor para fundamentar sua fala, retratam acerca da Provisão. No caso de Crônicas, Davi reconhece que todas as ofertas dadas por ele e pelo seu povo no templo era resultado de um favor de Deus. E no salmo 104 um louvor à soberania divina em dar vida e fôlego a toda a sua criação. Portanto, sim, Malafaia, “oferta é semente que Deus dá”, mas não da forma que você ensinou, uma oferta que ele nos dá para por meio dessa mesma oferta barganhar com Ele.

“Oferta é um serviço para Deus” - sim, quando esse serviço é voltado na ajuda aos irmãos necessitados; sim, quando esse serviço é voluntário como eram todas as ofertas dadas no AT. Para qualquer propósito tinha que ser sempre cujo coração se mover voluntariamente (essa frase é contínua nos textos Veterotestamentário acerca de ofertas) e não havia necessidades de palestras para tratar do assunto, muito menos tratar do assunto em culto de santa Ceia, cuja única função é lembrar da morte do Cordeiro. Aliás alguém lembra quantas vezes o nome de Jesus foi citado no vídeo em questão? Para fundamentar esse tópico ele cita a frase: “o trabalho em Deus não é vão”, fazendo alusão a 1Co.15.58, uma agressão sem tamanho ao texto bíblico, cujo contexto é de ressurreição e Paulo está concluindo seu pensamento acerca desse assunto de forma tão sublime ao expressar que (lá vai eu fazer interpretação de texto mais uma vez... ) a palavra se cumprirá quando nosso corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade: a morte foi tragada pela vitória. Por conta disso não desanimem, sejam firmes no Senhor sempre abundantes, sabendo que o vosso trabalho no Senhor (trabalho no Senhor aqui não é ofertar) não é vão, ou seja, haverá uma recompensa. (e pelo o que o contexto indica a recompensa não é aqui nesta terra, me parece ser o revestimento da incorruptibilidade para a vida eterna).

Portanto, sem a necessidade de usar teologia a primeira parte dessa mensagem fica desconstruída, apenas entendendo o corpo do texto de 2Co.9. Sendo assim, DUVIDO que o texto em questão tenha sido lido e interpretado com fidelidade.

Após dá essa explicação forçada do que é a oferta, Silas parte para outro tópico: as características do ofertante, as quais elenco logo abaixo:

1. Prontidão de ânimo;

2. Zelo;

3. Ato de inteligência;

4. Propósito do coração;

5. Sem tristeza e sem constrangimento (não haveria necessidade deste tópico se ele entende que quem “dá com alegria” significa que não tem tristeza);

6. Com alegria (não haveria necessidade deste tópico pelo mesmo motivo citado logo acima, devendo ele optar ou por um ou por outro);

7. Submissão e obediência;

8. Liberalidade.

Convenhamos, todo crente nascido de novo sabe da importância da oferta, da contribuição e da sua finalidade, que não é uma troca com a divindade. De fato, devemos ofertar com alegria, com liberalidade, dentro das condições em que podemos ofertar. Mas não podemos fazer disso o nosso “firme fundamento de glória”. Não podemos fazer isso achando que estamos “comprando” Deus e suas bênçãos. Senão, como ficam os crentes das regiões menos favorecidas do nosso Brasil? E os missionários que passam necessidades por ai afora? E os apóstolos que morreram na miséria? Não eram prósperos nenhum deles? Afinal, o que é prosperidade de fato? Seria a prosperidade uma vida de sobejo? Não seria prosperidade a plenitude do reino de Deus em nós, que não é deste mundo, como usufruto da graça concedida por Deus? Não seria prosperidade à luz das Escrituras o suprimento das necessidades básicas, posto que estamos nesta terra como peregrinos? Portanto, o cristão deve ter sim essas características, mas não como uma credencial para apenas ofertar, mas sim para tudo o mais que fizer... seja para Deus ou seja para o seu próximo (o que é uma redundância, pois como diz Caio Fabio, Deus escolheu ser amado no próximo), tudo que o cristão fizer deve fazer com amor, com alegria, com zelo, com dedicação, com inteligência, com liberalidade, enfim, sem, todavia, esperar nada em troca, pois tudo o que temos, só temos por causa da graça. E tudo o que entregamos, só entregamos por causa da graça também, pois em nós não há mérito algum! E isso pelo simples fato de que o que entregamos, só o fazemos porque temos e se temos, temos porque fomos agraciados por Deus! Ninguém dá o que não tem. Portanto, sendo assim, eu CRITICO essas virtudes como um fim em si mesmo para conquistar as bênçãos de Deus.

O que dizer dos resultados, terceiro tópico da mensagem?

Foi o tópico que mais sobressaiu heresias. A começar pela explicação forçada de que no versículo 7 é a segunda vez que ele diz vê a palavra amor sendo manifestada: na vida de um ofertante. Com isso Malafaia coloca o ato da oferta junto com a salvação, fazendo assim uma distinção do amor de Deus. Deus manifestou a salvação ao pecador entregando Jesus e manifestou amor pelo ofertante quando este oferta. Sendo assim, quem não oferta, ou não tem o amor de Deus, ou é amado por Deus, só que de outra maneira, não na mesma proporção com que ele ama o ofertante! UM ABSURDO!!! Deus é amor e ama a todos de igual modo. Um Deus que se limita a manifestar o seu amor (na mesma plenitude que amou para a salvação) apenas para o ofertante é uma deus vendido, interesseiro, capitalista e opressor, não é o Deus bíblico, cujo ágape se manifesta na obra redentora da salvação!

Outro tópico abordado foi que o ofertante tem como resultado a graça de Deus. Isso não seria mérito? Ora uma graça que vem por causa da minha oferta já não é graça. O versículo em questão é o 8, que diz, Deus é poderoso para fazer vocês abundarem em toda a graça. Veja que a ação é de Deus independente do ofertante.

O que Paulo está dizendo é que Deus pode dar muito para alguém para que esse alguém em todo o tempo, tendo tudo o que é NECESSÁRIO transbordem fazendo boas obras (que no contexto é a ajuda ao próximo, afinal Paulo faz a seguinte citação: distribuiu, deu aos pobres, a sua JUSTIÇA dura para sempre). Ou seja, essa graça não é resultado meritório sobre aquele que oferta, é dádiva de Deus para através de alguém, alguém ser abençoado, entendeu? Portanto a oferta não chama (como ele disse) a graça de Deus. Se assim fosse não seria graça.

Outro absurdo pontuado pelo pastor foi o fato de ele afirmar que “através da oferta você pode ter vitórias espirituais, [...] soluções de problemas emocionais, [...] pode ter cura, [...] soluções de problemas financeiros, tudo através da oferta”. Poxa vida, por mais de dois mil anos esse segredo estava escondido. As pessoas buscavam essas coisas em orações e o faziam em nome de Jesus – em quem temos o amém das nossas orações. Lamentavelmente essas palavras saíram da boca de um homem que tem sobre o seu pastoreio (?) uma multidão de crentes que o defende como se ele fosse incontestável.

Eis o segredo revelado povo de deus: se o problema for câncer, oferte! Se o problema for AIDS, oferte! Se o problema for emotivo, oferte! Oferte! Oferte! Orar pra quê se a oferta é a solução para todos os problemas?!

Portanto, dada essa conclusão infeliz do pastor Silas Malafaia, eu DETERMINO anatematizada essa mensagem. Não condiz com o espírito do Evangelho.

Sempre em Cristo... que foi a mais perfeita oferta de Deus em favor dos homens e não se vende pelas ofertas de homens que pensam poder comprar Deus.

Joacy Júnior

 

Comentários

Refutação Silas

Data: 14/06/2012 | De: Ruy Marinho

Olá irmão Joacy, tudo na paz?

Gostaria de parabenizá-lo pela excelente refutação a pregação do Silas Malafaia. Eu também fiz uma refutação e está alinhadíssima com a sua:

http://bereianos.blogspot.com.br/2012/06/refutacao-biblica-palavra-do-silas.html

Continue assim defendendo o evangelho e refutando os falsos profetas. Conte comigo no que precisar.

Grande abraço, em Cristo!

Ruy Marinho
Blog Bereianos

Re:Refutação Silas

Data: 15/06/2012 | De: Joacy Júnior

Querido Ruy, obrigado pela avaliação e visita feita ao meu "blog". Já conheço o trabalho do irmão através do Púlpito Cristãos e outros blogs que reproduzem seus artigos.

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